Cansei de ser trendy (Monólogo sobre estilo – Tomo II)

Nos últimos tempos, tenho sentido uma rejeição muito forte às tendências, até mesmo àquelas que dialogam com o meu estilo.

Os Oxfords representam bem essa minha rejeição, pois, apesar de o universo masculino ser uma recorrente fonte de inspiração para mim, acabei não adquirindo nenhum par. E os acho lindos! Mas cansei deles, antes mesmo de adquiri-los, antes mesmo de ver, pessoalmente, alguém os calçando.

Acho que toda a superexposição dos “must have” nos sites de street style e nos blogs de moda, tem uma parcela de responsabilidade nesse meu sentimento de rejeição.

Antigamente, eram as edições mensais das revistas de moda, que me apresentavam as tendências e os meus futuros desejos em estado de latência.  Repito: Apenas um canal de comunicação, praticamente, expunha aquele produto para mim durante um mês inteiro.

Primeiramente, eles eram apresentados nas matérias de desfiles internacionais. Depois, nos nacionais. Em seguida, nos ensaios. E, a partir daí, já estava desejando aquele produto/tendência, que chegaria às lojas na temporada seguinte e, por fim, constaria nas sessões “shops” daquelas publicações.

Mas temporada seguinte, antigamente, representava finalzinho do inverno ou verão. Hoje em dia, há um descompasso terrível entre o que os termômetros marcam e as roupas oferecidas nas lojas.

 E, geralmente, essa tendência era oferecida em poucas lojas, sobretudo as que tinham um público mais aberto a essas propostas um pouco mais inovadoras.

Na temporada seguinte, depois de uma boa aceitação pelo público em geral, era disposta em lojas mais populares.  E, obviamente, muitos já estariam usando.

A tendência duraria mais um temporada, talvez, pois todos já estariam “cansados” por culpa da supracitada superexposição.

Hoje, antes mesmo, do produto ser apresentado nos desfiles, tem alguma atriz ou wannabe usando e, em pouquíssimo tempo, alguma ou muitas fast fashions fazem sua “releitura” do must have, que é adquirido, me parece, por todas as blogueiras do mundo inteiro.

Daí, quando abro a Vogue, sinto aquele Deja vú, que já comentei e, quando vou às lojas, que sempre freqüentei, não consigo “achar graça” em muita coisa.

Desde então, ando a procura de marcas mais autorais.

 Infelizmente, tem sido difícil.

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